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Encantário Ibejis: infância e ancestralidade no Museu Afro Brasil

há 14 minutos
4 min de leitura

Mostra reúne obras do acervo de Emanoel Araujo e artistas contemporâneos em um percurso inspirado nos Ibejis, nos Erês e no imaginário popular brasileiro

Imagem: Pipas de Negana Pereira - Obra em homenagem A Carolina Maria de Jesus

A infância tem uma maneira particular de enxergar o mundo. Um brinquedo pode guardar uma história inteira, uma travessura pode virar lenda e seres fantásticos podem conviver naturalmente com a realidade. É a partir desse imaginário que o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, no Parque Ibirapuera, apresenta Encantário Ibejis — Salve as crianças! exposição que aproxima arte, ancestralidade e cultura popular para convidar o público a olhar novamente para aquilo que o tempo, às vezes, faz passar despercebido.

Com abertura em 31 de outubro de 2026, às 11h, a mostra permanece em cartaz até março de 2027 e reúne obras do acervo formado por Emanoel Araujo e trabalhos de artistas convidados. Sob curadoria de Vera Nunes e cocuradoria de Camila Tuon e Gabriela de Paula, o projeto propõe um encontro entre diferentes gerações, linguagens artísticas e memórias, tendo a infância como ponto de partida para novas formas de perceber a arte.

O universo da exposição é povoado por Ibejis, Erês, Cosme e Damião, sacis e outros seres encantados que atravessam tradições religiosas, narrativas populares e celebrações brasileiras. Mais do que recorrer à fantasia como tema, a mostra explora o encantamento como parte da construção da memória coletiva e dos saberes transmitidos entre gerações.


Arte, ancestralidade e o poder de imaginar

Imagem: Emanoel Araujo, Sem titulo 1964 - xilografia em papel


Em Encantário Ibejis — Salve as crianças!, a infância não aparece apenas como uma fase da vida, mas como uma maneira de estabelecer relações com o mundo. A curiosidade, a imaginação e a capacidade de encontrar novos sentidos nas coisas cotidianas orientam o percurso expositivo, que abre espaço para diferentes experiências de observação.

Essa perspectiva também coloca em evidência a presença dos Ibejis e dos Erês no imaginário afro-brasileiro, em diálogo com as figuras de Cosme e Damião e com personagens do folclore nacional. São referências que carregam significados próprios e participam de um repertório cultural construído por meio da oralidade, das festas, das práticas religiosas e das lembranças familiares.

Ao reunir essas referências em um espaço dedicado à arte, a exposição cria oportunidades para reconhecer histórias conhecidas e descobrir outras. Um objeto pode despertar uma lembrança de infância, enquanto uma imagem pode abrir caminho para narrativas que o visitante ainda não conhecia. O percurso não exige uma única interpretação, mas convida cada pessoa a construir a sua.


O legado de Emanoel Araujo e os encontros entre diferentes linguagens

Imagem: Robinho Santana Ibeji


A proposta também retoma uma característica importante da maneira como Emanoel Araujo pensava a coleção e a apresentação da arte. Para o artista, escultor e idealizador do museu, aproximar obras de diferentes origens, épocas, materiais e linguagens era uma forma de produzir relações e ampliar possibilidades de leitura.

Em vez de organizar os trabalhos a partir de hierarquias rígidas, essa abordagem favorece encontros que permitem observar cada obra sob novas perspectivas. É justamente nesse princípio que a exposição encontra uma maneira de homenagear o legado de Emanoel Araujo, colocando produções de diferentes gerações em contato.

Entre os artistas representados pelo acervo estão Mestre Didi, Rubem Valentim, Walter Firmo, Lita Cerqueira, Sônia Gomes, Alex Hornest, Gê Viana, Mestre Passarinheiro, Mãe Detinha de Xangô e Benzita de Oxum, além de outros nomes ligados a distintas trajetórias e expressões artísticas.

A mostra também incorpora trabalhos de artistas convidados, entre eles Gugie Cavalcanti, Negana Pereira, Ogba, Valter Nu, Auá Mendes, Raphaella Laz, Rio Sora, Robinho Santana, Mayara Amaral, Rapha Dutra, Larissa de Souza, Manoela Navas, Guilherme Kid e Jéssica Senra.

O encontro entre esse conjunto de artistas amplia o diálogo entre tradição e produção contemporânea, sem restringir a arte a uma única linguagem ou geração. A diversidade de olhares contribui para um percurso em que referências culturais, experiências individuais e diferentes modos de criação podem coexistir.


Uma exposição para crianças e adultos

Imagem: Fernando Gomes - Memorias com o meu pai


Embora a infância conduza a narrativa, Encantário Ibejis — Salve as crianças! não se limita ao público infantil. A proposta também interessa aos adultos, que podem reencontrar referências familiares, reconhecer tradições e revisitar experiências que ganharam novos significados com o passar dos anos.

Afinal, uma brincadeira pode atravessar décadas, um doce pode remeter a uma celebração de família e uma história contada na infância pode continuar presente na vida adulta. Ao aproximar essas lembranças de diferentes manifestações artísticas, a exposição transforma a visita em uma experiência de troca entre gerações.

Em cartaz no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, no Parque Ibirapuera, a mostra convida o visitante a desacelerar o olhar, observar as relações entre as obras e reconhecer que a imaginação também é uma forma de conhecimento. Um convite para todas as idades, especialmente para quem ainda guarda a curiosidade de fazer perguntas, inventar histórias e encontrar algo extraordinário no cotidiano.

Imagem: Guilherme Kid - A turma de Cosme e Damiao chegou


Encantário Ibejis — Salve as crianças!

Abertura: 31 de outubro de 2026, às 11h.

Período: até março de 2027.

Curadoria: Vera Nunes.

Cocuradoria: Camila Tuon e Gabriela de Paula.

Local: Museu Afro Brasil Emanoel Araujo.

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque Ibirapuera, Portão 10, Vila Mariana, São Paulo (SP).

Visitação: de terça-feira a domingo, das 10h às 17h, com permanência até as 18h.

Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada). Entrada gratuita às quartas-feiras.

Mais informações: www.museuafrobrasil.org.br

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