8ª Semana Paulista de Dança leva 12 espetáculos gratuitos ao MASP
A 8ª Semana Paulista de Dança ocupa o MASP com 12 espetáculos gratuitos e diferentes linguagens da dança brasileira.

Foto: Vitor Dias, Balé Teatro Guaíra
Durante cinco dias, a dança ganha diferentes formas no coração da Avenida Paulista. De 16 a 20 de setembro, o MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, recebe a 8ª edição da Semana Paulista de Dança, com 12 espetáculos gratuitos que colocam em cena diferentes gerações, estéticas e maneiras de pensar o corpo em movimento.
Criada em 2018 pelo curador e idealizador Anselmo Zolla, a Semana Paulista de Dança nasceu com a proposta de aproximar a linguagem da dança de um público amplo. Nesta edição, a programação reúne companhias como Focus Cia de Dança, Marcia Milhazes Companhia de Dança, Studio3 Cia de Dança, Balé Guaíra, Galpão 1, São Paulo Companhia de Dança, São Paulo Escola de Dança e Cia de Dança Thiago Soares.

Foto: Marcel Rodrigues, São Paulo Escola de Dança
Mais do que uma sequência de apresentações, a programação atravessa referências bastante distintas. Há espaço para o tango de Astor Piazzolla, a obra de Caetano Veloso, a música de Tom Jobim, o balé clássico, a cultura japonesa, ritmos nordestinos e releituras contemporâneas de grandes clássicos. O resultado é uma espécie de panorama da dança brasileira, em que tradição e experimentação dividem o mesmo palco.
Entre os destaques está Piquenique, variações amorosas, da Marcia Milhazes Companhia de Dança. A obra investiga o universo afetivo de um casal a partir de referências da música brasileira das décadas de 1930 e 1940, com canções associadas a nomes como Carmen Miranda, Clementina de Jesus, Orlando Silva, Francisco Alves, Lamartine Babo e Pixinguinha. A montagem ganha ainda um elemento visual especialmente criado para a ocasião: um painel de 9,5 metros de comprimento por 6 metros de altura concebido pela artista Beatriz Milhazes, em diálogo direto com a coreografia.
Foto: Cia de Dança Thiago Soares/ Foto: Dom S, Marcia Milhazes Cia de Dança.
A música também aparece como ponto de partida em Deixa eu dançar, do Studio3 Cia de Dança, que transforma a trajetória de Caetano Veloso em movimento e investiga contrastes entre passado e futuro, popular e erudito, ordem e desordem. Já OUTROS TOMs, da mesma companhia, olha para um lado menos óbvio de Tom Jobim, destacando sua atuação como sinfonista e orquestrador e aproximando suas composições de diferentes paisagens da cultura brasileira.

Foto: Rafa Catarcione, Focus Cia de Dança
A história da imigração japonesa no Brasil também chega ao palco com Arigatô Sayonara, do Galpão 1. Inspirada na trajetória familiar da coreógrafa e diretora, a criação combina dança contemporânea e jazz para falar de despedida, deslocamento, adaptação, identidade e pertencimento.
Na programação da São Paulo Companhia de Dança, o repertório vai do clássico Grand Pas de Deux de Dom Quixote, inspirado na obra de Miguel de Cervantes e coreografado por Marius Petipa, ao contemporâneo Atômico, que parte do maracatu de baque virado para construir uma fusão com música eletrônica, manguebeat, rock e hip-hop.

Foto: Erika Novachi, Galpão 1 Cia de Dança
O Balé Guaíra apresenta trabalhos que investigam as relações entre corpo, tempo, memória e transformação. Em Tempo de movimento, estão reunidas criações como Unwaltz – Isso não é uma valsa, que revisita a tradição da valsa, Sospiri ou Sobre a finitude, voltada às ideias de passagem e encerramento, e STOL – uma questão de confiança, que coloca corpo e objeto em tensão para discutir as relações entre natureza, cultura, técnica e matéria.

Foto: Studio3, espetáculo OUTROS TOMs
A programação também abre espaço para novas leituras de histórias conhecidas. Em Carmem, perigosamente livre, a Cia de Dança Thiago Soares revisita a personagem de Georges Bizet por meio de uma perspectiva contemporânea e latino-americana, combinando elementos do balé clássico à dança contemporânea para abordar desejo, poder, liberdade e destino.
Outro destaque é Aroeira, da São Paulo Escola de Dança, que utiliza a árvore como metáfora para resistência, renascimento e transformação. A coreografia combina jazz dance e movimentos percussivos, apostando na fisicalidade dos bailarinos.
Dança também como espaço de conversa

Foto: Studio3, espetáculo Deixa eu dançar
Nesta edição, a Semana Paulista de Dança amplia seu olhar para além do palco. Pela primeira vez, a programação inclui o Diálogos da Cena, encontro dedicado à produção e aos desafios da dança brasileira.
Realizado no domingo, 20 de setembro, às 14h, o encontro reúne Inês Bogéa, Fábio Namatame e Wagner Freire para discutir perspectivas, questões e caminhos da cena da dança no país. A iniciativa acrescenta uma camada importante à programação, aproximando o público dos debates que atravessam o setor e de quem atua diretamente em sua construção.
Com apresentações no Auditório do MASP e no Vão Livre, a 8ª Semana Paulista de Dança transforma o museu em ponto de encontro para diferentes formas de expressão corporal. E talvez esteja justamente aí seu interesse: não apresentar uma única ideia sobre o que é dança, mas colocar diferentes corpos, repertórios e histórias em diálogo.
Serviço
8ª Semana Paulista de Dança - 16 a 20 de setembro de 2026
MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 e 1510, Bela Vista, São Paulo
Direção artística e curadoria: Anselmo Zolla
Todos os espetáculos são gratuitos. Para as apresentações no Auditório, os ingressos devem ser retirados presencialmente no local, duas horas antes de cada sessão. As apresentações realizadas no Vão Livre não exigem retirada prévia de ingresso.



