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Dom Pérignon e Damien Hirst transformam assemblage em arte

há 3 horas
3 min de leitura

Dom Pérignon e Damien Hirst criam edição limitada de 2026 inspirada no conceito de assemblage e na série Kaleidoscope.

Foto: Divulgação

Para sua edição limitada de fim de ano de 2026, Dom Pérignon se aproxima de Damien Hirst em uma colaboração que coloca vinho, arte e design no mesmo território criativo. O ponto de encontro está em um conceito essencial para a Maison e recorrente na obra do artista britânico: a assemblage, ou a capacidade de reunir elementos distintos para criar uma composição única.

Mais do que uma parceria entre uma Maison de Champagne e um dos nomes mais reconhecidos da arte contemporânea, a edição parte de uma ideia compartilhada sobre criação. De um lado, Dom Pérignon trabalha cada safra a partir do diálogo entre as uvas de um único ano, buscando equilíbrio entre diferentes características da colheita. Do outro, Hirst constrói parte de sua linguagem visual a partir da repetição, fragmentação e reorganização de elementos.

É justamente essa relação que aparece em sua série Kaleidoscope, referência central para o design da edição limitada. O motivo transforma fragmentos em padrões complexos e simétricos, criando uma sensação de movimento contínuo. Na leitura proposta pela colaboração, o caleidoscópio se aproxima da própria lógica da assemblage de Dom Pérignon: diferentes elementos não perdem suas particularidades, mas passam a funcionar dentro de uma nova unidade.


Um ícone da Maison em transformação


Para traduzir essa ideia visualmente, Damien Hirst revisita um dos símbolos mais reconhecíveis de Dom Pérignon, o histórico escudo da Maison. Em vez de simplesmente reproduzi-lo, o artista o insere na composição caleidoscópica, multiplicando sua presença em diferentes configurações.

O resultado cria uma espécie de movimento visual em torno do emblema, que permanece reconhecível enquanto ganha novas interpretações. A escolha conversa diretamente com a filosofia de Dom Pérignon, marcada pela tensão entre herança e reinvenção.

A edição é estruturada em duas paletas. O azul profundo acompanha o Dom Pérignon Vintage 2018, associado à ideia de infinitude e espiritualidade. Já o rosa quente aparece no Dom Pérignon Rosé Vintage 2010, traduzindo visualmente a intensidade da Pinot Noir.

As cores não funcionam apenas como recurso estético. Elas também estabelecem um diálogo entre duas expressões bastante diferentes de uma mesma Maison.


Duas safras, dois momentos

No centro da edição estão duas safras que apresentam personalidades distintas.

O Dom Pérignon Vintage 2018 nasceu de um ano marcado por luminosidade generosa e disponibilidade hídrica adequada ao desenvolvimento das videiras. A maturação aconteceu precocemente, em agosto, e permitiu ao Chef de Cave Vincent Chaperon explorar uma interpretação mais tátil do vinho, com destaque para mineralidade, suculência, fruta e salinidade.

Já o Dom Pérignon Rosé Vintage 2010 segue por uma direção mais profunda. A Pinot Noir aparece com densidade e intensidade, características que ajudam a construir a personalidade do Rosé Vintage e sua expressão mais introspectiva.

Colocados lado a lado, os dois vinhos criam um contraste interessante: o Vintage 2018 se apresenta em uma leitura mais solar e vibrante, enquanto o Rosé Vintage 2010 trabalha uma dimensão mais intensa e reservada. É justamente essa diferença que dá força ao conceito da edição.


Quando o vinho encontra a arte contemporânea

A aproximação com Damien Hirst também dá continuidade a uma história de encontros entre Dom Pérignon e diferentes universos criativos. Ao longo das últimas décadas, a Maison desenvolveu colaborações com nomes como Karl Lagerfeld, Lenny Kravitz e Lady Gaga, explorando diferentes interpretações para seu imaginário.

Com Hirst, a conversa acontece especialmente no território da composição. Seu trabalho é marcado por investigações sobre beleza, repetição, transformação e os limites entre ordem e complexidade. Na série Kaleidoscope, essa pesquisa ganha uma dimensão visual particularmente próxima da ideia de assemblage presente em Dom Pérignon.

A escolha faz sentido justamente porque nenhuma das duas linguagens depende de uma única matéria-prima ou de uma fórmula fixa. Existe, em ambas, uma busca por equilíbrio a partir da combinação de elementos.

No universo do Champagne, essa construção passa necessariamente pelo tempo. Dom Pérignon trabalha exclusivamente com vinhos de safra, testemunhando a personalidade de um determinado ano e permitindo que o tempo de maturação sobre as borras, nas caves, participe da construção de sua expressão.

Na arte de Hirst, a transformação acontece por outros meios, mas parte de uma lógica semelhante: fragmentos, repetições e matérias distintas são reorganizados até formar uma composição capaz de ganhar novo significado.

É nesse ponto que a edição limitada de 2026 se torna mais interessante do que uma simples embalagem especial. O caleidoscópio de Damien Hirst não está apenas sobre as garrafas. Ele funciona como uma tradução visual de uma ideia que já existe no DNA de Dom Pérignon: a beleza pode nascer justamente da complexidade, quando diferentes elementos encontram uma forma de coexistir.

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