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SAUER aos 85: a arte de reinventar a alta joalheria brasileira

há 5 minutos
3 min de leitura

Com direção criativa de Stephanie Wenk, coleção comemorativa reúne 35 joias que reinterpretam a história da marca, exploram gemas brasileiras e celebram o design em livro publicado pela Assouline.

Foto: Divulgação

O que faz uma pedra preciosa se transformar em uma joia memorável? Para a SAUER, a resposta está no encontro entre conhecimento gemológico, olhar apurado para a cor e liberdade para experimentar. Em 2026, a joalheria brasileira completa 85 anos com uma coleção de 35 peças que revisita criações emblemáticas de seu repertório e propõe novas leituras para materiais, formas e proporções. A comemoração também inclui um livro publicado pela Assouline, que percorre os encontros, as descobertas e as criações responsáveis por construir a identidade da marca.

Fundada em 1941, no Rio de Janeiro, a SAUER tem suas origens ligadas à trajetória de Jules Sauer, cuja busca por pedras extraordinárias contribuiu para ampliar o reconhecimento internacional das gemas brasileiras. Mais do que identificar minerais raros, seu trabalho ajudou a estabelecer uma maneira particular de pensar a joalheria, partindo das características naturais de cada pedra para explorar suas possibilidades de cor, luz, lapidação e proporção.

Foto: Divulgação


Sob a direção criativa de Stephanie Wenk, essa herança ganha novas interpretações. A coleção comemorativa transforma o arquivo da marca em um repertório aberto à experimentação, aproximando referências de diferentes épocas de uma linguagem contemporânea. A proposta não é simplesmente reproduzir modelos históricos, mas recuperar elementos que fazem parte da identidade da SAUER e colocá-los em novas relações, respeitando a individualidade de cada gema.


A cor e os materiais no centro do design

As pedras coloridas assumem protagonismo nas criações. Turmalinas verdes, águas-marinhas, safiras azuis, esmeraldas, turmalinas Paraíba e topázios imperiais compõem uma paleta vibrante, que inclui ainda um rubi excepcional. O arco-íris, uma das assinaturas visuais da SAUER, reaparece em combinações renovadas, enquanto ônix, cristal de rocha, lápis-lazúli e calcedônia exploram contrastes entre transparência, opacidade e geometria. A madeira também ganha espaço nas composições, acrescentando textura e calor às molduras em contraponto ao brilho das pedras preciosas.


Essa combinação revela uma abordagem de design que vai além da escolha de materiais nobres. Na alta joalheria, a maneira como uma gema é apresentada pode transformar a percepção de uma peça. Proporções, volumes, superfícies e contrastes passam a integrar a linguagem criativa, mostrando como o conhecimento técnico pode abrir espaço para soluções menos convencionais.

Entre os destaques está o anel Constellation, premiado no Diamonds International Awards em 1966, que ganha uma nova interpretação para marcar os 85 anos da marca. Outra referência importante é o colar Yvonne, um dos modelos mais reconhecidos da SAUER, apresentado pela primeira vez em uma versão de alta joalheria. A peça combina uma esmeralda com uma moldura de madeira, aproximando a intensidade da pedra de uma textura orgânica pouco usual nesse universo.


As pérolas acrescentam luminosidade e formas orgânicas ao conjunto, enquanto quatro broches únicos ampliam as possibilidades de uso ao serem concebidos também como pingentes. A versatilidade faz parte dessa leitura contemporânea da joalheria, em que o desenho considera não apenas a estética, mas também diferentes maneiras de incorporar as peças ao estilo pessoal.

Para Stephanie Wenk, revisitar o passado é uma oportunidade de descobrir novas possibilidades, e não de reproduzir o que já foi feito. A diretora criativa define a história da SAUER como um repertório vivo, no qual formas, lembranças e encontros podem ganhar outros significados. É desse diálogo entre memória e imaginação que surge a coleção comemorativa, preservando a identidade da marca enquanto explora novas direções estéticas.


Um legado registrado em livro

A celebração dos 85 anos também se estende à publicação de um livro pela Assouline, editora internacional reconhecida por seus títulos dedicados à moda, à arte, à cultura e ao universo do luxo. A obra reúne encontros, descobertas e criações que marcaram a trajetória da SAUER, acompanhando a evolução da joalheria e sua relação com as gemas brasileiras.

Mais do que registrar uma história, a publicação contextualiza as referências que ajudaram a formar a linguagem visual e criativa da marca. Ao lado da coleção, o livro amplia o olhar sobre um legado construído ao longo de décadas, no qual o conhecimento dos materiais convive com a curiosidade e a disposição para experimentar.

Foto: Divulgação


Ao completar 85 anos, a SAUER transforma a própria trajetória em ponto de partida para novas criações. Entre pedras coloridas, materiais inesperados e releituras de modelos históricos, a coleção mostra como tradição e inovação podem coexistir na alta joalheria brasileira. Uma história que encontra nas riquezas naturais não apenas matéria-prima, mas uma fonte contínua de possibilidades para o design de joias.

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