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ProWine São Paulo 2026: quando tradição e inovação chegam à mesma taça

há 11 minutos
5 min de leitura

ProWine São Paulo 2026 reúne tradição, novos terroirs, espumantes brasileiros, destilados e a expansão das bebidas sem álcool.

Foto: Divulgação

No primeiro dia da maior edição da feira, passamos pelos pavilhões do Expo Center Norte para acompanhar de perto os rótulos, territórios e tendências que estão movimentando o universo de vinhos e destilados

São Paulo começou outubro com um endereço obrigatório para quem acompanha o universo dos vinhos. No primeiro dia da ProWine São Paulo 2026, estivemos no Expo Center Norte para percorrer os dois pavilhões que recebem, até 8 de outubro, produtores, importadores, sommeliers, distribuidores e profissionais de gastronomia de 43 países.

Em sua sétima edição, a feira cresceu em tamanho, mas o que mais chama atenção é a variedade de histórias que cabem dentro dela. São mais de 2 mil produtores reunidos em um mesmo espaço, apresentando desde regiões tradicionais até novos terroirs, espumantes brasileiros, destilados, coquetelaria e uma categoria que já não pode ser tratada como tendência passageira: as bebidas sem álcool.

Para nós, caminhar pela ProWine é também perceber como o vinho deixou de ser apenas uma questão de origem, safra e uva. Hoje, existe uma conversa mais ampla sobre comportamento, sustentabilidade, novas ocasiões de consumo e, principalmente, sobre como diferentes públicos estão se relacionando com a bebida.

E foi justamente nesse cruzamento entre tradição e transformação que alguns dos destaques do primeiro dia nos chamaram atenção.


Moët Hennessy: luxo em diferentes territórios

Foto: Divulgação


No espaço da Moët Hennessy, a diversidade do portfólio funciona quase como um mapa do mundo do vinho e dos destilados. Brasil, Argentina, Provence e Cognac aparecem lado a lado, mostrando como diferentes territórios podem contar histórias completamente distintas dentro de uma mesma experiência.

Entre os rótulos que degustamos, o Chandon Excellence Brut ocupa um lugar especial. Elaborado com Chardonnay e Pinot Noir de uma única safra, o espumante passa por pelo menos 2,5 anos de maturação e representa uma das expressões mais sofisticadas da Chandon Brasil.

Também nos chamou atenção o Chandon Blanc de Noir, elaborado exclusivamente com Pinot Noir proveniente de Encruzilhada do Sul, em um vinhedo certificado em práticas de viticultura sustentável. É um daqueles exemplos em que a origem deixa de ser apenas informação técnica e passa a fazer parte da identidade do vinho.

Na ala internacional, a viagem continua. O Terrazas Reserva Chardonnay apresenta a leitura da Argentina a partir dos vinhedos de altitude de Mendoza, enquanto Whispering Angel e Minuty Prestige levam à feira diferentes interpretações dos rosés de Provence.

Whispering Angel, aliás, chega a 2026 celebrando sua 20ª safra, um marco que ajuda a explicar a permanência do rótulo no imaginário contemporâneo dos rosés.

Nos destilados, a presença de Hennessy, Glenmorangie e Belvedere amplia a conversa. Hennessy ganha destaque especialmente pela aproximação cada vez maior entre cognac e coquetelaria, mostrando que a categoria pode ocupar espaços muito diferentes daqueles tradicionalmente associados ao destilado.


Freixenet e a nova lógica do sem álcool

Se existe uma tendência difícil de ignorar na ProWine 2026, é a expansão das bebidas sem álcool. E a Freixenet chega à feira justamente explorando esse movimento.

A marca apresenta sete novidades, incluindo sua entrada na categoria de aperitivos com o Freixenet Solare e uma nova coleção de rótulos Zero Álcool.

Foto: Divulgação


O movimento mais interessante, porém, está na amplitude da proposta. A linha passa a reunir não apenas espumantes, mas também vinhos tranquilos sem álcool, incluindo versões branca e rosé da linha Diamond.

Entre os lançamentos está o Cordon Negro desalcoolizado, que leva uma versão sem álcool de um dos rótulos mais conhecidos da marca. Também fazem parte da apresentação o Espumante Freixenet Zero Álcool Diamond, o Espumante Freixenet Rosé Zero Álcool e as novas versões de vinhos tranquilos.

Foto: Divulgação


Mais do que reproduzir um produto tradicional sem álcool, a movimentação revela uma mudança importante no comportamento de consumo. A ideia de brindar, acompanhar uma refeição ou participar de uma ocasião social já não precisa necessariamente estar associada ao consumo de álcool.

E talvez seja justamente aí que a categoria ganhe relevância: não como substituta, mas como uma possibilidade a mais.


Salton: quando o Brasil ocupa o centro da conversa

Entre tantos produtores internacionais, encontrar a Salton apresentando diferentes capítulos da vitivinicultura brasileira também foi uma experiência interessante.

A vinícola chega à ProWine em um momento simbólico, celebrando seus 116 anos e duas conquistas recentes. Uma delas é a medalha de Ouro conquistada pelo Salton Ouro Moscatel no Decanter World Wine Awards 2026, reconhecimento que colocou o espumante brasileiro em evidência internacional.

Foto: Divulgação


Mas foi o Salton 116 Anos que trouxe uma dimensão mais afetiva à apresentação. O Pinot Noir Brut Rosé foi produzido em edição limitada de apenas 1.116 garrafas numeradas, com 45 meses de contato com as leveduras e uvas selecionadas na Campanha Gaúcha.

A novidade inaugura a Coleção Efervescência Brasileira, criada pela vinícola para acompanhar sua trajetória até os 120 anos.

A seleção apresentada na feira ainda inclui o Salton Septimum 2020, vinho ícone criado em homenagem aos sete irmãos fundadores da empresa, e o Salton IP Campanha Gaúcha Vinhedo da Lebre Cabernet Sauvignon 2022, primeiro vinho nobre da vinícola com Indicação de Procedência Campanha Gaúcha.

É interessante perceber como a Salton apresenta o Brasil não apenas como produtor de espumantes, mas como território capaz de construir identidades próprias e cada vez mais sofisticadas.


O vinho brasileiro também está mudando de território

Essa discussão aparece de maneira ainda mais ampla na programação da ProWine. Entre os temas do Fórum estão novos terroirs brasileiros, incluindo a Chapada Diamantina e Garanhuns, além de viticultura de influência vulcânica e novas cultivares.

É um sinal claro de que o mapa do vinho brasileiro está se expandindo.

Ao mesmo tempo em que regiões tradicionais continuam aprimorando seus métodos, novos territórios começam a ganhar espaço na conversa profissional. E isso é especialmente interessante em um mercado que vem demonstrando maior curiosidade por origem, qualidade e identidade.

A própria dimensão internacional da feira reforça essa perspectiva. Além de países já conhecidos pelo consumidor brasileiro, como França, Itália, Portugal, Espanha, Argentina e Chile, a edição reúne produtores de lugares menos óbvios para quem está acostumado ao mapa tradicional do vinho.


Uma feira sobre o presente, mas também sobre o que vem depois

A ProWine São Paulo nasceu como um spin-off da ProWein de Düsseldorf e, desde 2019, vem se consolidando como um dos principais encontros profissionais do setor na América Latina. Em 2026, a expansão para dois pavilhões traduz o crescimento da feira, mas também de um mercado que se tornou mais complexo.

Segundo os dados apresentados pela organização, o setor de vinhos movimentou cerca de R$ 21,1 bilhões no Brasil em 2025, enquanto o segmento super premium cresceu aproximadamente 15% em faturamento. Os espumantes também alcançaram um recorde de 4,5 milhões de caixas comercializadas.

Mas talvez o dado mais interessante esteja menos nos números e mais na variedade de comportamentos que encontramos entre os estandes.

Há quem procure grandes maisons, quem queira conhecer pequenos produtores, quem esteja interessado em novos terroirs, quem esteja redescobrindo os espumantes brasileiros e quem simplesmente queira uma boa bebida sem álcool para acompanhar uma ocasião.

No primeiro dia da ProWine, ficou claro que o mercado não está caminhando para uma única direção. Pelo contrário. Está ficando mais diverso, mais curioso e menos previsível.

E, para quem gosta de vinho, isso é uma ótima notícia.

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